Terceira edição do Ponto, agora online

Depois do Verão, chega ao ciberespaço a terceira edição do Ponto. Para consulta ou download, basta clicar em “Edições” ou na aba “N.º 3 – Agosto/Setembro de 2011“ para aceder a todos os conteúdos nos formatos JPEG ou PDF.

Destaque, nesta edição, para a entrevista a José António Saraiva, director do jornal Sol, na qual desfia temas quentes do passado recente da política nacional e mostra um lado pessoal afável, não esquecendo a sua preferência pela casa que tem no Dafundo, a ligação ancestral à Linha e a inspiração local, que já foi pano de fundo para dois romances seus.

Em reportagem, explica-se em detalhe a ascenção da freguesia de Cruz Quebrada-Dafundo a vila, comentada em crónica por Carlos Neto, presidente do concelho da Faculdade de Motricidade Humana, e, a propósito do 18.º aniversário da freguesia, tempo para um balanço do trabalho levado a cabo pelo executivo da Junta local.

Noticiam-se ainda os resultados inéditos das análises do SMAS à água das praias da freguesia, que agora são próprias para banhos; os ajustamentos e cortes na rede de transportes de Oeiras, com prejuízo também para os habitantes da freguesia, que promoveram um abaixo-assinado na busca de alternativas, e a criação de uma comissão de moradores que contesta junto da Câmara de Oeiras a falta de condições de habitabilidade em edifícios do Bairro Clemente Vicente, no Dafundo, para os quais se exige comparticipação municipal das obras.

O Ponto não podia deixar de relevar iniciativas da Junta de Freguesia local como a criação do conceito ‘Economia Solidária’, que interliga o Banco de Competências, o Cartão da Freguesia, os comerciantes locais e a Loja Solidária pelo espírito de entreajuda; a criação da TV Online da freguesia ou mesmo do bolo tradicional Dafundinho, lançado aquando da comemoração oficial da elevação da freguesia a vila, em parceria com a pastelaria Requinte & Sabores. A terceira edição do Ponto dedicou-se ainda a mostrar o trabalho desenvolvido por instituições locais como os Bombeiros Voluntários do Dafundo, prestes a comemorar o centenário, e a Associação A Ver a Barra, fundada recentemente, destinada à organização de actividades lúdicas para todos, mas especialmente para os mais idosos.

Novamente, o Ponto não esquece a cultura, a educação e o desporto, com justo destaque para os resultados do programa Novas Oportunidades, que já elevou a escolaridade de cerca de 40 pessoas, e, no âmbito desportivo, para os já previsíveis campeões nacionais Tiago Faquinha, ginasta da União Recreativa do Dafundo, e as basquetebolistas sub-16 da SIMECQ, já conhecidas como “incríveis simecquinhas”.

Isto e muito mais, como a homenagem e a entrega do Prémio Mérito do jornal Ponto ao eterno maratonista João Baptista – o “Rei do Jamor”, também apelidado de “atleta de aço” -, ou a revista dos principais eventos da região, sempre com uma pitada de entretenimento e humor. No seu jornal Ponto.

Editorial

A (r)evolução (não) será televisionada

Em Novembro de 2010 escrevia-se aqui ser tempo de nos zangarmos. Entretanto veio o 12 de Março e, mais recentemente, o FMI, cuja intervenção sempre teve, aliás, um único objectivo: canalizar o máximo rendimento possível dos países para o pagamento das dívidas. Passadas décadas de “ajuda ao desenvolvimento”, o Banco Mundial e as troikas da vida convivem hoje num planeta em que um sexto da população humana vive com menos de 77 cêntimos por dia… Depois veio uma certa letargia; o adormecimento possível e até desejável para fazer esquecer uma dor muito incómoda e constrangedora, mas paga a prestações. No entanto, não necessariamente na freguesia de Cruz Quebrada-Dafundo… “A revolução não dará à sua boca sex appeal.”

Entre os partidos, o 12 de Março pareceu resumir-se a um raciocínio simples: “300 mil nas ruas… Como sacar-lhes votos?” Euforia. Descrédito. Por esta ordem. Afinal, aquele mar de gente que sintetizava descontentamentos complexos e díspares não ia votar massivamente num ou noutro partido e a coisa virou populismo contaminado pelos extremos. (ao momento em que se redige este editorial, quatro cidades inglesas estão a ferro e fogo) Talvez tivesse sido pertinente compreender a multiplicação de manifestações diversas de profunda irritação com “o Estado a que chegámos”, parafraseando Salgueiro Maia. “A revolução não o fará parecer dois quilos mais magro.”

Após a grande canção “Parva que Sou”, dos Deolinda, que deu origem à manifestação de 12 de Março, a vitória dos Homens da Luta no Festival da Canção revelou-se uma demonstração oportuna de um tal Estado de espírito inorgânico. Os Homens da Luta venceram porque eram desalinhados, desbocados, a carta fora do baralho. Na mesma linha, tivemos o fenómeno José Manuel Coelho nas presidenciais e no Brasil é eleito o deputado federal Tiririca – “pior do que ‘tá não fica”. “A revolução irá colocar-te no lugar do condutor.”

Apesar desta ilógica lógica, a excepção de uma lógica ilógica confirma a regra da vitória de Passos Coelho sobre Sócrates nas legislativas. O actual primeiro-ministro derrotou o antecessor sob a mediatizada ideia manipuladora de que só ele o poderia fazer. Tantos foram os que votaram contra um candidato e não a favor de outro; contra as suas próprias convicções, descrendo do bom senso do resto do País, todo ele à medida do colete de forças dicotómico em que a comunicação social o enfia. Uma massa amorfa de gente doida que não sabe votar, mas entre a qual tantos se misturam. “Se não podes vencê-los…” No entanto, não necessariamente na freguesia de Cruz Quebrada-Dafundo…

E assim, conferindo a excepção das excepções, chegamos de forma declarada à história não contada nas restantes páginas desta edição: a entrega do cartão de militante do PS, dia 9 de Março, pela parte de Paulo Freitas do Amaral, presidente da Junta local, e a consequente criação do MOV (Movimento Oeiras Vive), um movimento de cidadãos que, com epicentro na freguesia, redunda do Manifesto XXI, já aqui referido na edição anterior, com vista a conquistar as autárquicas de 2013 em Oeiras. A provocação surtiu efeito: a sociedade civil, entre a qual se consubstancia o sentimento generalizado de que o sistema político vigente está falido, mobilizou-se e está a fazê-lo nas dez freguesias do concelho.

Ora, se Paulo Freitas do Amaral explicou a renúncia ao PS por discordar das políticas do Governo de Sócrates e da relação distante entre as estruturas partidárias locais e nacionais, onde “os dados estão viciados” sem o envolvimento das populações, já os textos fundadores do MOV assumem, sob o pressuposto de “uma crise de credibilidade que políticos e actividade política atravessam”, o “aprofundamento da democracia participativa”, “ultrapassando crises de representação política” e partindo “da sociedade civil para o combate político sob a forma de movimentos cívicos organizados local e regionalmente”. Esperando surtir um “efeito dominó” pelo País, o MOV, apoiado por Catalina Pestana e Carlos Neto (dois dos cronistas do Ponto), terá de chegar às cinco mil assinaturas para candidatar-se às próximas autárquicas, tendo por mote a ideia de que “é preciso jogar o jogo político, ganhá-lo, e então mudá-lo”.

Daqui inferimos que nesta freguesia e neste concelho a história é outra, diferente daquela, letárgica, observada um pouco por todo o País. Também o Ponto, desde o anterior editorial, no qual se observava não haver registo de candidaturas espontâneas oriundas da freguesia, viu muito alargadas as colaborações. De referir que o nosso jornal conta agora com um novo designer gráfico – Luís Ferreira Dias. Aqui fica uma palavra de apreço pela dedicação e pelo esforço da anterior designer, Cátia Ricardo, que abandonou o projecto por motivos profissionais.

A propósito do título deste editorial – referência óbvia à canção-poema ‘The Revolution Will Not Be Televised’, de Gil Scott-Heron -, porque é que a revolução não será televisionada? Porque ela acontece, antes de mais, dentro da gente de um povo. “A revolução será ao vivo.”

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Sobre hugofsimoes

Jornalista
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