Segunda edição do Ponto online

A segunda edição do Ponto, agora em 16 páginas, chegou finalmente, no início de 2011, à Internet. Para consulta ou download, basta clicar em “Edições” ou na aba “N.º 2 – Novembro/Dezembro 2010“ para aceder a todos os conteúdos da segunda edição do nosso jornal nos formatos JPEG ou PDF.

Acompanhe a realidade local e concelhia numa perspectiva fresca e única que lhe permite estar a par de novas oportunidades e actividades, em contacto próximo com as entidades locais. Destaque, nesta edição, para a oportuna entrevista ao ícone do fado Camané, um “Oeirense de gema no Dafundo”, aquando do lançamento do seu álbum “Do Amor e dos Dias”; para a incisiva crónica da cruz-quebradense Catalina Pestana, que se debruçou sobre a grande reportagem do Ponto “O ‘World Trade Center’ de Oeiras”, prevendo a concretização polémica do empreendimento “Porto Cruz” na frente ribeirinha da Cruz Quebrada; para as comemorações dos 130 anos da SIMECQ, a mais antiga colectividade do concelho de Oeiras, ou ainda para os esforços desenvolvidos por um grupo de cidadãos, pretendendo a elevação do Dafundo a vila, bem como a alteração dos limites da freguesia no Alto de Sta. Catarina.

Não foram obviamente esquecidas iniciativas relevantes da Junta de Freguesia local como a criação do primeiro serviço de telemedicina do País; a implementação do “Banco Solidário” e da “Loja Solidária”; a “Linha Medicamento em Sua Casa” ou a curiosa história de esforço e dedicação do já apelidado “presidente-motorista”. O Ponto acompanhou ainda desenvolvimentos quanto à impugnação, pelo grupo de cidadãos “Amigos da Cruz Quebrada”, do projecto imobiliário previsto na Quinta de Santa Sofia, e foi ao encontro dos alunos das aulas de alfabetização e de português, para quem a frequência às aulas, nas instalações da Junta, trouxe inegáveis benefícios à sua vida quotidiana. De regresso às páginas do Ponto, as inevitáveis e incríveis basquetebolistas sub-14 da SIMECQ pela conquista do campeonato nacional, e a jogar em casa!

Isto e muito mais, como a divulgação de valores artísticos locais – nesta edição, o internacional e cruz-quebradense power duo Youthless -, bem como dos principais eventos da região, sempre com uma pitada de entretenimento e humor. No seu jornal Ponto.

Editorial

É tempo de nos zangarmos

Não é preciso dizer que as coisas estão más; toda a gente o sabe. Portugal já tem a sociedade mais desigual da Europa, com 15% da população activa abrangida pelo salário mínimo (450 euros) – cerca de 804 mil pessoas -, e, em 2008, um pequeno grupo de cidadãos ricos (4051 agregados fiscais) tinha um rendimento semelhante ao de um vastíssimo número de cidadãos pobres (634.836 agregados fiscais).

É a depressão, a crise. Quase todos estão sem trabalho ou com medo de perdê-lo, e parece não haver fim para isto. Sentamo-nos em casa, em frente à televisão, e lentamente o mundo em que vivemos fica mais pequeno, enquanto tudo o que pedimos é para que nos deixem em paz com os nossos DVD’s, CD’s, televisores e microondas, que não chateamos ninguém. Mas como dizia o personagem Howard Beale no filme ‘Network’, de 1976, “eu quero que vocês se zanguem”. Não sei exactamente o que fazer à inflação, ao crime, ao desemprego ou à crise. O que sei é que, antes de mais, temos de nos zangar.

Mas somos um povo especialista em revoltar-se por conta alheia; nunca por conta própria. “O povo paga e reza. Paga para ter ministros que não governam, deputados que não legislam (…) e padres que rezam contra ele. Paga tudo, paga para tudo. E em recompensa dão-lhe uma farsa”, escreveu Eça de Queirós em 1872. Submisso este povo, deixando-se levar passivamente por mentirosos compulsivos que rejubilam e escarnecem da populaça conformada que paga o que eles quiserem, quando e como definirem, sem um esgar de protesto, sem um acto violento de revolta, se necessário.

O conde Alípio Severo, essa incrivelmente actual criação queirosiana, reflecte o segredo das democracias constitucionais: “Eu, que sou Governo, fraco mas hábil, dou aparentemente a soberania ao povo. Mas como a falta de educação o mantém na imbecilidade e o adormecimento da consciência o amolece na indiferença, faço-o exercer essa soberania em meu proveito…” Vivemos 40 anos de ditadura e vamos em 36 de democracia. Mas se a primeira eliminou o jogo democrático, destruiu liberdades e instaurou o fascismo político, a segunda manteve o jogo democrático mas reduziu ao mínimo as opções ideológicas; manteve as liberdades mas destruiu as possibilidades de serem efectivamente exercidas, instaurando um regime de democracia política combinado com fascismo social, segundo aponta, e bem, Boaventura Sousa Santos.

Se assim não é, vejamos: recentemente foi constituído um movimento cívico nesta freguesia chamado “Manifesto XXI” pensado pelas pessoas para as pessoas e, na sua segunda reunião, a uma noite de sábado invernal, apenas 20 bravos compareceram, alguns dos quais residentes noutras freguesias. Enquanto isto, vemos a opinião pública ser intoxicada por comentaristas políticos e económicos conservadores para quem o Estado social se reduz a impostos e deve ser abatido; para quem os portugueses empobrecidos vivem acima das suas posses, como se aspirar a uma vida decente e comer duas refeições por dia fosse um luxo repreensível.

Outro exemplo: o jornal Ponto foi criado com o intuito de dar oportunidades a estudantes de jornalismo ou jovens jornalistas e fotógrafos em busca de experiência e de constituir portefólio, mas, até hoje, não há registo de uma única candidatura espontânea oriunda da freguesia. Também o comércio e as empresas locais se abstiveram, até ao momento, no apoio ao projecto editorial que lhes está mais próximo.

Também a freguesia de Cruz Quebrada-Dafundo parece estar dormente, mas é aqui e agora que tem de começar a diferença. A “aldeia gaulesa” precisa de dizer basta, reaprendendo a defender a democracia e a solidariedade nas ruas, nos locais de trabalho, nos parlamentos. O Rei D. Carlos definia-nos há mais de um século como “um País de bananas governado por sacanas”. Os estimados leitores revêem-se inteiramente nisto?

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Sobre hugofsimoes

Jornalista
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